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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

ZÉ DANTAS: 100 anos do maior Compositor Gonzaguiano


 Peço a Deus que me dê inspiração

Pra lembrar em versos que faz 100 anos

Que nasceu um desses pernambucanos

Um dos filhos ilustres do sertão

Que representou bem a região

O Nordeste se sente envaidecido

Por esse talento reconhecido

E o legado que ele nos deixou. 

O que Doutor Zé Dantas receitou

Através de Gonzaga tenho ouvido.

 

Natural de Carnaíba das Flores

Situada no Alto Pajeú

Solo onde reina o Mandacaru

Deu-nos o maior dos compositores

Gonzagão foi servido de valores

Os doutores escalados no Baião

Executaram bem essa missão

Mas ZÉ DANTAS foi quem se destacou.

Tudo que doutor Zé Dantas criou

Gonzagão cantou pra nossa nação.

 

Esse gênio nasceu em Fevereiro

Que é mês de carnaval e confete

Seu registro, diz dia Vinte e Sete 

Sou tiete desse nobre guerreiro

Pernambuco, Estado Brasileiro

Tem orgulho de vê esse menino

Que nasceu e cresceu tão nordestino

Em Mil Novecentos e Vinte e um.

Com um talento raro incomum 

Só podia ser obra do divino.

 

É Seu José de Souza Dantas Filho

Nome do cidadão carnaubano

Como pernambucano me ufano

De vermos nessa estrela tanto brilho

Com vocês esses versos eu compartilho

A fim de resgatar sua memória

Ele é referência e fez História

Um exemplo para toda nação.

Revelado por nosso Gonzagão 

Um e outro já partiram pra glória. 

 

Falando sobre os seus genitores

Seu pai foi importante fazendeiro

JOSÉ DE SOUZA DANTAS, homem ordeiro

Ex prefeito da cidade de Flores

Comerciante cheio de valores

Da burguesia rural nordestina

Que queria o filho na medicina

Sua mãe Josefina Alves Siqueira.

Dona “Santu” Uma mulher guerreira 

Esses pais decidiram a sua sina. 

 

Zé Dantas Filho deixou Carnaíba

Foi morar lá perto do litoral

Mudou pra estudar na capital 

Desce lá de riba feito um escriba 

Nessa arte não há quem o proíba

A vontade da família foi feita

Veio estudar pra passar receita

Chegou ao Recife com Nove anos.

Estudou mas traçou também seus planos

Nossa gente se deu por satisfeita.

 

Dos colégios que ele freqüentou

Em Recife tem Nóbrega e Marista

Também o Americano Batista

Onde José Dantas Filho estudou

Com dezessete anos ele criou

Compôs Xote, Toadas e Baião

Era grande a sua produção

Do modo nordestino e brejeiro.

Crônicas do Folclore brasileiro

Tá presente em sua composição.

 

Seus trabalhos eram sempre mostrados

Pelo colégio em uma revista

Era no Americano Batista

Onde seus textos eram publicados

Os costumes nordestinos narrados

Ali treinava um compositor

Com toda liberdade pra compor

Sem jamais esquecer sua missão.

Ele só veio de lá do sertão

Pra cidade estudar e ser doutor. 

 

Seu Zé Dantas nasceu pra ser artista

Revelado ainda de menor

Afirmou Armando Souto Maior

Esse excepcional folclorista

Que foi seu colega lá no Marista

Testemunhou Zé Dantas batucando

Uma caixa de fósforos usando

E compondo ali de improviso.

Vinha dos corredores esse aviso

Um compositor está se formando. 

 

Essa etapa da vida então termina

Ele corre atrás do ideal

Pari passu a vida musical 

Ingressou no curso de Medicina

Como sua família determina

O pai dele jamais quis aceitar

Vê o filho na música atuar 

Mas um dia mudou de opinião.

Depois que conversou com Gonzagão

Eu conheço quem pode confirmar.

 

Precisava estudar e ser doutor

Seguiu firme o curso de Medicina

O destino quem sabe vaticina

Determina o improvisador

José Dantas seguiu compositor

Ali no meio Universitário

A despeito do pai que era agrário

Nessa área ele foi se envolvendo.

O doutor nessa arte foi crescendo

E a vida lhe deu outro cenário.

 

Mil novecentos e quarenta e sete 

Fica aqui registrado no cordel

Que Zé Dantas foi vê no grande hotel

O Rei do Baião que era manchete

Recebeu de Zé Dantas e promete

Aproveitar sua composição

Que em breve fará a gravação

Ao gravar, foi um sucesso total 

Nasceu a parceria ideal

De Zé Dantas com o Rei do baião. 

 

Forró de MANÉ VITOR e Vem MORENA

Zé Dantas viu suas composições

Agradarem em cheio as multidões

Pra alegria do amor de Helena

Que pra o doutor Zé Dantas acena

As duas canções que foram gravadas

Já estavam por demais aprovadas

Consagrando Zé Dantas o autor.

E o Rei do Baião, grande cantor

Uma das parcerias consagradas.

 

O curso de Zé Dantas terminou

Em Quarenta e Nove ele saiu

Cursou Medicina e concluiu

Pra o Rio ele logo se mudou

Em Cinqüenta quando por lá chegou

Procurou explorar a sua arte

Do mundo artístico ele é parte

Participou de Shows e gravações

Com Gonzaga e outras produções

Seu Zé Dantas tornou-se estandarte.

 

Lá no Rio foi fazer residência

No Hospital que é dos Servidores

Era um dos neófitos doutores

Destacou-se por sua inteligência

Logo provando sua competência

Quando teve concurso aproveitou

Preparou-se no teste e passou

E entrou pra o quadro efetivo.

Nesse hospital foi gestor ativo

Nem com isso, seu dom abandonou.

 

Em Recife lá na Rádio Jornal

Em Cinqüenta, ele pode estrear

E no Rio também pode atuar

No Programa na Radio Nacional

“Na Hora do Baião” foi tão legal

Ouvir muitos causos do contador

De personagens foi imitador

Revelou contos do Nordeste pobre

No programa em um horário nobre

Tava ali o doutor compositor.

 

Sobre sua esposa eu me lembro

Yolanda Dantas é de Pernambuco

De Recife, chão de Joaquim Nabuco

Esses dois se conheceram, relembro

Foi num dia de sete de setembro 

Num feriado em Serra Talhada

Começou com uma simples olhada

Numa Vila chamada Caiçarinha 

Com dezessete anos e tão novinha

A professorinha foi conquistada. 

 

Foi assim que Zé Dantas conheceu

Dona Yolanda Dantas, querida

Encontrou o amor de sua vida

Foi assim que tudo aconteceu

Esse encontro no sertão ocorreu

Ele estudante de medicina

Galanteador ganhou a menina

Que era filha de um leiloeiro.

E Zé Dantas filho do fazendeiro

Elegante essa conquista assina.

 

Iniciou assim a relação

Mas eles não se casaram no ato

Em Mil Novecentos e Cinqüenta e quatro

É que foi selada a união 

Oito anos depois o coração

Da mulher que inspirou a letra “I”

Viu seu amor, desse mundo partir

Para o que chamam de vida eterna

Ela ficou sem chão, procurou perna

Mas no mundo precisou prosseguir. 

 

Ela tinha três filhos pra criar

E seguir firme era sua tônica

Criou duas filhas: Sandra e Mônica

E um filho também pra educar

Zé Dantas Neto pra continuar

Tornou se doutor e mora no Rio

Yolanda encarou o desafio

Só a morte é quem lhe submete

Janeiro de Dois Mil e Dezessete

Sua morte não matou o seu brio.

 

Foram quinze anos de parceria

Mais de Cinqüenta músicas gravadas

Todas elas são marcas registradas

Da junção que o destino fazia

O Brasil inteiro todo curtia

Aplaudia cada nova canção

De Zé Dantas, um mestre do Baião

Gonzagão garimpou nobre parceiro.

Mais um pernambucano e brasileiro

Pra decantar a nossa região.

 

Vou citar algumas canções aqui

VOLTA DA ASA BRANCA e SABIÁ

ADEUS IRACEMA e MARIÁ

CASAMENTO DE ROSA e LETRA I

O DELEGADO NO COCO ouvi

TREZE DE DEZEMBRO e o TORRADO

VOZES DA SECA e FEIRA DE GADO

CARTÃO DE NATAL e CHEGOU SÃO JOÃO.

ACAUÃ e ABC DO SERTÃO

QUADRILHA é BOM e o MACHUCADO.

 

PRONDE TU VAI LUI e LENDA DE SÃO JOÃO

DANÇA DA MODA e PEGA PENEIRA

QUANDO O INVERNO CHEGA e RENDEIRA 

PERFUME NACIONÁ, PISA PILÃO 

O BOM QUE O COCO TEM e TUDO É BAIÃO

TÁ LEGAL e O QUE É QUE TU QUER

RIACHO DO NAVIO e RAQUÉ

PIRIRIM, ADEUS RIO DE JANEIRO.

O CIRCO, O RIACHO DO IMBUZEIRO

NÓS NUM HAVE e MANÉ e ZABÉ. 

 

O CALANGO e SAMARICA PARTEIRA

NOITES BRASILEIRAS e SETEMBRINA

MUIÉ FEIA, NO TERREIRO DA USINA

PAULO AFONSO e PASSO DA RANCHEIRA

SIRI JOGANDO BOLA é de primeira

A DANÇA DA MODA e ALGODÃO

CANGOTE CHERÔSO e FORRÓ DE ENTÃO

CHORA CARRINHO e CINTURA FINA.

CHEGADA DE INVERNO e CORINA

IMBALANÇA e CAFÉ na relação.

 

MINHA FULÔ, SÃO JOÃO NO ARRAIÁ 

LASCANDO O CANO e AI MEU BEM

SÃO JOÃO ANTIGO e XEM NHEM NHEM 

VAI TER CASAMENTO, NUM VÔ CHORÁ 

MEU PAPAGAIO e NA BEIRA MAR

 SANSÃO e DALILA, OLHA A PISADA 

AI AMOR e AS QUATRO IMBIGADA

BALANÇA A REDE e CABRA A PESTE.

ADEUS SAUDADE e CABRA DO NORDESTE

FORRÓ DE MANÉ VITOR e FARINHADA.

 

XOTE DAS MENINAS e CAXAMBU

Teve o BALAIO DE VEREMUNDO

SÓ VALE QUEM TEM é coisa do mundo

BALAIO, FORRÓ EM CARUARU

SÃO JOÃO NA ROÇA e REI BANTU 

No XOTE MIUDINHO a gente vai

VEM MORENA é sucesso que não cai

CADÊ O PEBA, AQUELA CASINHA.

FORRÓ DO QUELEMENTE e MARIQUINHA

ALMA DO BRASIL, DERRAMARO O GAI.

 

José Dantas grande compositor

Pra criar versos era um celeiro

Retratando o Nordeste brasileiro

Como folclorista pesquisador

Da cultura foi um divulgador

Do Nordeste fez toda exposição

Abordando os temas do sertão

Novenas, festas e as farinhadas.

As poesias e brigas relatadas

Casamento e muita confusão.

 

Zé Dantas viveu o mundo rural

Xico Nóbrega assim me falou

Esse cotidiano transportou

E botou na construção musical

Esse compositor foi triunfal

Mergulhou fundo nessa produção

Dando aula de interpretação

Aos poucos, a medicina que cura.

Foi perdendo espaço para cultura

José Dantas foi show na criação.

 

Seu Zé Dantas doutor admirado

Destacou-se enquanto humorista

Além do bom humor foi folclorista

Já escutei um causo seu contado

Quem ouviu garante ter gostado

Era fonte de entretenimento

Foi proveitoso esse casamento

O baião ganhou outro pioneiro

Na canção Gonzagão foi um parceiro

Que deu voz a esse grande talento.

 

Por quarenta e um anos, viveu 

O Baião chorou sua despedida

Sua obra eterniza sua vida

Ele vive em tudo que escreveu

Nessa breve vida desenvolveu

Um acervo gigante pra cultura

Contribuiu demais a criatura

Vejam entre os clássicos musicais.

Suas músicas são tradicionais

E cantores fazem nova leitura.

 

Seu Zé Dantas sofreu um acidente

Em fevereiro de sessenta e um

Não sei se havia remédio algum

Pra tratar o doutor que é paciente

José Dantas ficou muito doente

Por romper um ligamento no pé

Tomou a cortisona e nessa fé

O remédio aliviava as dores.

Os efeitos, pois nem tudo são flores

Comprometeu o fígado de Zé.

 

Um ano depois Zé Dantas morreu

Em onze de março em sessenta e dois

Muitas homenagens seguem depois

Todas elas, o cabra mereceu

Lembro algumas que ele recebeu

Na Academia é imortal

Ganhou um busto na terra natal

Cada homenagem a Zé foi bela. 

É nome de Rua em Casa Amarela

No bairro do Recife a, capital.

 

Homenageando o compositor

Num compacto do Rei do Baião 

Luiz Gonzaga gravou XÔ PAVÃO 

PROFECIA, outra composição

Cantou também outra exaltação

De Onildo Almeida do Agreste

E de outro, também cabra da peste

Antônio Barros lá da Paraíba.

Ao nosso mestre lá de Carnaíba

Que deixou chorando todo Nordeste.  

 

As canções de Zé Dantas alcançaram

Um patamar bonito de se vê

Muitos artistas da MPB

Já gravaram e também regravaram

Com diversos arranjos interpretaram

Alguns deles, eu tenho relacionado:

Ivon Cury, Quinteto Violado

Carmélia Alves, Hermeto pascoal.

Gonzaguinha e Wilson Simonal

Ivan Ferraz e Elba têm cantado.

 

Gonzagão gravou Zé Dantas primeiro

Dominguinhos também teve a vez

Maria Bethânia e Marinês

Marisa Monte e Jackson do Pandeiro

Flávio José e Alcymar Monteiro

Alceu Valença e Gilberto Gil

Geraldo Azevedo e outros mil

Até Chico Buarque que encanta.

E Marina Elali também canta

As canções do avô pelo Brasil.

 

Encerrando o cordel do doutor

Segundo José Teles: O mais lírico

Com o meu conhecimento empírico 

Digo: Foi o maior compositor

Em tão pouco tempo pode compor

Dezenas de letras com qualidade

Revelou sua versatilidade

E sua relação umbilical.

Que ele teve com o mundo rural 

Descreveu pra o homem da cidade.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Entrevista com o cordelista Ivaldo Batista

 Ivaldo Batista Costa é escritor e cordelista. Natural de Carpina, Pernambuco, 12/01/1963. É membro efetivo da União Brasileira de Escritores (UBE); da União Carpinense de Escritores e Artistas (UCEA) e do Instituto Histórico de Jaboatão dos Guararapes.Ivaldo Batista é formado em História pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP). Bacharel em Teologia pelo STBNB e pós-graduado em História de Pernambuco. O autor tem várias obras publicadas e nelas procura revelar os encantos do Nordeste, entre elas: “Sete dias na capital do forró”, “Recife”, “Carpina”, “Nova Jerusalém”, “A benção meu padim pade Ciço”, “500 anos”. Cordéis: “Vovó Pita tem 100 gatinhos”, “Minha casa é o bicho”, “O Prêmio do jerico de Panelas”, “Serrita”, “Nazaré da Mata”, “A Paz”, “Olinda”, “Dilma”, “Professor”, “A Voz do Planalto”, “Exu”, “Meio Ambiente”, “Paris-França”, “Salgueiro”, “Mestre Vitalino”, “Lampião”, “Novos Gritos no Sertão”, “Drogas”, “Santa Cruz”, “Noé”, “Cida Flor”, “Zé Piranga”, “A Vizinha Encrenqueira”, “Carpina”, “Centenário do Rei do Baião”, “A Pibaja”, “Sport Club do Recife”, “Ivan Ferraz”, “Dançou no São João em Caruaru”, “Serra Talhada”, “Floresta”, “Náutico”, “Bullying”, “Sebá”, “São Lourenço da Mata”, “Antônio Conselheiro”, “Boé”, “Arcoverde”, “Vitória – ES”, “Mossoró bota Lampião pra correr”, “Dominguinhos”, “Ipojuca”, “Roger e o Pato”, “Vinícius”, “Rádio Naza 25 Anos”, “O protesto dos animais”, “José Lins do Rego”, “Seu Lunga”, “Arlindo dos 8 Baixos”, “Porto Alegre”, “Internacional Gaúcho”, “Grêmio”, “Rio de Janeiro”, “Record”, “Cruzeiro”, “Lunga professor”, “Campina Grande”, “Santa Cruz – Centenário”, “Banha de Urubu”, “Mulher”, “CFPJ”, “Ariano”, “Folclore”, “Copa”, “Pr. Natanael”, “Londres”, “Romeiros”, “Salão de beleza”, “Autobiografia”, “Alto do Moura”, “O barbeiro atrapalhado”, “Pelé”, “Azar e sorte”, “Ane e Peteca”, “Eduardo Campos”, “Roberto Carlos”, “Festa de Reis”, “2a. IBA”, “Sílvio Santos”, “Cidade Natal”, “Lula”, “Flávio José” entre outros títulos.

 

 

COMO FOI SUA HISTÓRIA COM A LITERATURA DE CORDEL?  

Ivaldo Batista: Esse relacionamento é antigo, sempre gostei de brincar naturalmente com as frases rimadas. No dia-a-dia, eu fazia isso espontaneamente, mas eu iniciei minha vida na literatura escrevendo livros sobre a cultura regional e neles eu colocava versos de cordel como ilustração. Foram 6 títulos publicados em 20 anos. Há 6 anos eu resolvi publicar meu primeiro cordel e dai pra frente a produção não parou mais. Todo dia eu escrevo um folheto, mas depois resolvo qual vai ser editado preferencialmente. Os motes surgem com uma facilidade que é difícil descrever.

QUALQUER POETA PODE SER UM CORDELISTA?

Ivaldo Batista: Sim. O difícil é ser poeta. Quando alguém tem essa capacidade de criar a poesia. Ou melhor, quando a poesia já “corre no sangue”... Pra ser cordelista, acho que ele precisa só aprender a técnica. Uns cordelistas, não sei como, mas já nasceram feitos, vieram ao mundo com a poesia na alma e os versos tecnicamente perfeitos. Eles são alvo de estudos em teses de mestrado e doutorado nas universidades. 

QUAL O PAPEL DA XILOGRAVURA NA ILUSTRAÇÃO DOS FOLHETOS?

Ivaldo Batista: A xilogravura, ou “xilo” como é conhecida, foi no passado, o  tipo de ilustração usada pra os folhetos, isso numa fase já adiantada do cordel. Houve uma fase que o Cordelista reinava com suas informações. Sei de como a xilo chegou pela primeira vez a ser estampada num jornal. Hoje, quem faz a opção pela xilo, apesar dos inúmeros recursos que dispomos, é como forma de resistência cultural, tentando preservar a identidade e originalidade do cordel.

 EXISTE UMA MÉTRICA PRÓPRIA NAS RIMAS DO CORDEL?

Ivaldo Batista: Métrica, rima e oração são essenciais ao cordel. Se faltar um deles, compromete a qualidade do trabalho do poeta cordelista. Tem gente que conta nos dedos pra ver se a métrica está correta, e as vezes erra por que existe também algumas peculiaridades. O poeta “Expert” ele faz o verso e sai tudo certinho de primeira.

 A SEXTILHA É O FORMATO MAIS POPULAR 

Ivaldo Batista: Acredito que sim. Via de regra, todo poeta faz ou já fez essa modalidade. Em geral ensinamos as técnicas de se fazer um cordel nas escolas usando a “sextilha” como base. É um cordel, onde cada estrofe é formada por seis versos, com as rimas postas no segundo, quarto e sexto verso. Cada verso com sete sílabas.

 A LITERATURA DE CORDEL É MAIS APRECIADA NO INTERIOR OU TEM ADEPTOS TAMBÉM NAS CIDADES?

Ivaldo Batista: Eu vou expressar minha opinião formada nessas andanças que tenho empreendido. O interior nos Estados do Nordeste, são receptivos. Eles já são predispostos, já mostram um sorriso no rosto só em ouvir a palavra cordel. Na cidade há adeptos e esse número cresce ainda mais. Os nordestinos que migraram pra os grandes centros urbanos, ajudaram a divulgar o cordel nas capitais. No Sudeste. por exemplo os cordelistas que estão radicados no eixo Rio-São Paulo , em geral tem sua origem aqui em cidades nordestinas e por lá  cresceram por que tinham e tem um público natural, nossos conterrâneos que “invadiram” essas áreas, e levaram nossa cultura de raiz. 

O CUSTO DO PAPEL E DA GRÁFICA TEM IMPACTO NA PRODUÇÃO DO CORDEL?

Ivaldo Batista:Tudo que fazemos tem um custo. No passado, o poeta cordelista que não teve como levar seus folhetos pra gráfica, ficou criando declamando  seus versos.. Ainda hoje tem poetas pobres e sem ter domínio de outros recursos. Hoje, com essa gama de recursos tecnológicos e tanta facilidade, há poetas que correram das editoras, e escreve digita  e imprime seus folhetos em casa e assim driblam o custo das editoras e das  gráficas que precisa encontrar um meio de conquistar o grande número de poetas que vivem independente.

A INTERNET VEIO PARA AJUDAR OU É PREJUDICIAL À LITERATURA DE CORDEL?

Ivaldo Batista: A internet talvez nem tenha julgado a dimensão de sua chegada. Eu particularmente, penso na internet, como um avião supersônico, que atravessa todas as barreiras com uma velocidade impensável. Se antes o cordel precisava chegar às feiras e dependia das pessoas pra transmitirem... Hoje em fração de segundos, o mundo tomando conhecimento do cordel que eu fiz no quintal de minha casa. A ajuda é muito bem vinda. O cordelista agradece. 

AO TODO QUANTOS CORDÉIS VOCÊ JÁ ESCREVEU. QUAIS OS TEMAS QUE VOCÊ JÁ DESENVOLVEU?

Ivaldo Batista: O folheto de cordel propriamente dito, em junho do ano passado eu contei 180 títulos, agora eu não sei, estimo já cheguei ou estou perto a 200 títulos publicados. Agora tenho muitos ainda guardados pra futuros lançamentos. A temática é bem diversificada:  tem biografias, histórias de cidades, além de times de futebol, Problemas sociais, Humor, Problemas ambientais, Cordéis infantis , animais, Instituições tais como TV , Rádio, Hotéis, Igrejas, Jornais etc.  Obs: Nas redes sociais criamos versos da hora, aqueles que têm a ver com os momentos que a nação está passando e aí eu não tenho como quantificar..  Daria pra escrever um livro só com os cordéis feito exclusivamente no Facebook e outros sites de relacionamento. 

COMO PARTE SUA INSPIRAÇÃO PARA DESENVOLVER UM CORDEL?

Ivaldo Batista: A inspiração é algo muito espontâneo. Naturalmente, eu crio os cordéis, e isso vem a toda hora, em qualquer lugar, ocorre muito quando eu estou dirigindo, aí eu paro e anoto as ideias que recebi e sigo e depois eu organizo as ideias e concluo. Quando a inspiração é quem chega primeiro, eu consigo escrever um cordel em duas horas. Quando alguém encomenda, ou eu decido escrever forçosamente sobre uma temática, aí eu pesquiso o assunto, e então espero a inspiração chegar,  mas ela não tarda... Eu e a inspiração, a gente parece que já temos um relacionamento sério. Rsrs

O QUE PRECISA SER FEITO NAS ESCOLAS PARA INCENTIVAR A CULTURA, EM ESPECIAL O CORDEL?

Ivaldo Batista: Cultura e educação são duas coisas essenciais à formação do ser humano, sem elas o homem continua a ser inacabado. O cordel pode contribuir muito com o processo educativo, a meu ver ele deveria entrar nos projetos didáticos de todas as disciplinas. Uma vez que esteja no planejamento, como modo operacional ou objetivo em si, as secretarias de educação devem compreender essa demanda e investir na formação ou “capacitação” de seus professores pra fazerem uso dessa didática. Isso já acontece de forma tímida, aqui ali, uma escola solicita uma oficina de cordel pra seus professores e ou pra seus alunos mas não é uma iniciativa abraçada pela educação, enquanto gestores da educação oficial.

 

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Ivaldo Batista: O Missionário do Cordel

  Eu sou o Cachimbinho de Aldeia  Escrevi esses versos pra Ivaldo Um poeta que tem grande respaldo Por que tem a poesia já na veia Ele é cor...